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Carta 8: Trump, Economia e Mercados

  • Foto do escritor: Leonardo Strambi, CFA
    Leonardo Strambi, CFA
  • 11 de mar. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 23 de dez. de 2025


Clientes e amigos,


Março de 2025 chegou com um clima de incerteza nos mercados globais. As políticas comerciais ainda nebulosas do governo Trump, somadas a sinais de uma economia americana em desaceleração, estão mantendo os agentes econômicos em alerta. Confira nossa análise e o que estamos fazendo para navegar esse cenário volátil. Boa leitura!


Tarifas,Tarifas e tarifas...

Investidores com exposição ao mercado americano estão cada vez mais inquietos com a forte queda das ações, o que tem aumentado a busca por orientação financeira. O principal fator por trás desse movimento é a implementação de tarifas pelo governo dos EUA, um tema polêmico que tem dominado o noticiário financeiro e influenciado a atuação dos agentes de mercado nas últimas semanas. O receio de que as tarifas impostas por Donald Trump possam desencadear uma recessão tem levado a uma onda de vendas no mercado acionário, resultando em uma perda de US$ 4 trilhões no valor do S&P 500 desde seu pico no mês passado. Essa reviravolta surpreende Wall Street, que até recentemente se beneficiava do entusiasmo com a agenda 'pró-mercado' do presidente. Trump prometeu redefinir o comércio global por meio de tarifas, arrecadando “quantias massivas de dinheiro” ao aumentar os impostos sobre bens importados. Durante seu primeiro mandato, a fatia da receita total do governo proveniente dessas tarifas aumentou, mas ainda representa uma parcela pequena do orçamento federal. Além disso, a adoção dessas medidas teve pouco impacto até agora na redução do déficit comercial dos EUA, que continua a refletir um cenário no qual o país compra mais do exterior do que vende para outros mercados.


Sinais de alerta na economia americana


O payroll de fevereiro trouxe números dentro do esperado para novos empregos, mas os detalhes do relatório de emprego levantaram algumas preocupações. Houve um salto no número de trabalhadores em empregos de meio período por razões econômicas – ou seja, pessoas que queriam algo melhor, mas não conseguiram. A taxa de desemprego ampliada (que inclui quem desistiu de procurar trabalho) subiu para 8,0%, o maior nível desde outubro de 2021. Esses dados apontam para uma economia real perdendo fôlego, o que, junto com as incertezas sobre tarifas e comércio sob Trump, acende um sinal amarelo.


Embora a criação de empregos tenha se estabilizado, com cerca de 200 mil novas vagas (em linha com as expectativas, segundo a Bloomberg), outros indicadores mostram perda de fôlego: o número de trabalhadores empregados em meio período por razões econômicas disparou para 5 milhões – o maior nível desde maio de 2021 – e a taxa de desemprego ampliada (U-6) subiu para 8,0%, a mais alta desde outubro de 2021. A taxa de desemprego oficial, por sua vez, aumentou para 4,1%, ante 4,0% no mês anterior, refletindo uma leve piora
Embora a criação de empregos tenha se estabilizado, com cerca de 200 mil novas vagas (em linha com as expectativas, segundo a Bloomberg), outros indicadores mostram perda de fôlego: o número de trabalhadores empregados em meio período por razões econômicas disparou para 5 milhões – o maior nível desde maio de 2021 – e a taxa de desemprego ampliada (U-6) subiu para 8,0%, a mais alta desde outubro de 2021. A taxa de desemprego oficial, por sua vez, aumentou para 4,1%, ante 4,0% no mês anterior, refletindo uma leve piora

Como nos posicionamos


Diante de tanta volatilidade, não ficamos parados. Ao longo do último mês, fizemos mudanças pontuais nas nossas alocações, especialmente nos portfólios de ações:

  • Diminuímos a exposição ao Nasdaq-100 e trocamos empresas de menor capitalização por nomes mais resilientes.

  • Apostamos no setor de Utilities, que performou bem no início de março e ajudou a suavizar as perdas dos portfólios de ações.


O foco foi buscar uma proteção para os portfólios, preservando as estratégias de longo prazo, dando tempo para a diversificação mostrar seus benefícios. Mas, olhando para frente, o que vem por aí?


Dois cenários na mesa


O S&P 500 caiu aproximadamente 10% desde sua máxima em 19 de fevereiro – um tombo rápido, mas não tão profundo. Diversos indicadores apontam que o mercado está tecnicamente "sobrevendido", o que pode indicar uma pausa momentânea na pressão vendedora. Ainda assim, a incerteza segue alta. Aqui estão os dois caminhos que enxergamos: Postura Defensiva  

  • O S&P500 recuou “apenas” 10%,  o que não é uma correção tão profunda (apesar de ter sido um movimento bastante acelerado), especialmente levando em conta que essa queda ocorreu logo após o índice ter renovado máxima histórica, no dia 19/02.

  • O mercado está tecnicamente “sobrevendido”, o que sugere que a pressão vendedora tende a perder força no curto prazo. Apesar disso,  mesmo com essa queda recente, os valuations ainda estão próximos de um patamar justo (ações bem precificadas... nem caras, nem baratas), o que sugere que estruturalmente ainda tem espaço para quedas mais pronunciadas, especialmente se o nível de incertezas não reduzir, ou seja, se não houver uma mudança de agenda/postura do governo.

  • Estratégia: Reduzir exposição em ações e/ou tornar o portfólio de ações mais defensivo; aumentar renda fixa, e eventualmente ouro.


Aguardar uma Recuperação  

  • A queda foi muito rápida e amplificada por fatores técnicos (stops, zeragens, chamadas de margem, etc), tendo em vista o alto nível de alavancagem atual do mercado americano.

  • O governo Trump pode convergir a atuar para estabilizar os mercados, já que o desempenho da bolsa é um indicador importante para sua administração, apesar de suas últimas declarações contrariando essa ideia.

  • A incerteza sobre políticas comerciais está extremamente alta, mas historicamente esse nível elevado não durou muito tempo. Uma ‘simples’ melhora da incerteza pode trazer alívio rápido ao mercado.

  • Uma ala do governo, liderada pelo secretário do tesouro, Scott Bessent, já deu sinalizações de um plano alternativo para reduzir o déficit comercial sem necessariamente depender das tarifas, via queda na expectativa de juros e enfraquecimento do dólar.

  • Se o governo sinalizar uma possível mudança de rota e amenizar seu discurso em relação às tarifas, é provável que as expectativas dos agentes de mercado se alterem drasticamente, o que em um mercado tecnicamente ‘sobrevendido’ como temos hoje, poderia acarretar em uma recuperação bastante rápida também.

  • O que fazer?: Segurar as posições e aproveitar o mercado "sobrevendido" para capturar um eventual repique.


O papel da incerteza comercial


Dê uma olhada neste gráfico do índice de "US Trade Policy Uncertainty" e "Global Economic Policy Uncertainty":


Após a eleição de Trump em 2025, a incerteza comercial atingiu níveis recordes – mas, no passado, picos assim não duraram muito.
Após a eleição de Trump em 2025, a incerteza comercial atingiu níveis recordes – mas, no passado, picos assim não duraram muito.

No primeiro mandato de Trump, vimos algo parecido: incerteza alta após a eleição, seguida de ajustes rápidos quando os mercados reagiram. Isso reforça a ideia de que o governo pode mudar de tom se a bolsa continuar sofrendo.


Fizemos um breve resumo dos principais temas que começamos a monitorar mais de perto.


Nossa recomendação: cautela e foco no longo prazo


O cenário é incerto, sim. Se Trump "dobrar a aposta" nas tarifas, podemos ver quedas mais acentuadas. Por outro lado, uma simples sinalização de moderação pode trazer alívio rápido. Por enquanto, nossa sugestão é evitar movimentos bruscos. Ajustamos nossos portfólios para resistir ao impacto, mas acreditamos que dar tempo ao tempo – e monitorar os próximos passos do governo – é o melhor caminho. Afinal, a bolsa segue sendo um termômetro político para essa administração.


E você, como está lidando com tudo isso?


Estamos de olho nos indicadores e nas notícias para ajustar o rumo, se necessário. E você, já fez mudanças no seu portfólio ou prefere esperar?


Diante da incerteza econômica e das políticas de Trump em 2025, qual estratégia você prefere para o seu portfólio agora?

  • Adotar uma postura mais defensiva

  • Aguardar uma recuperação

  • Aproveitar os momentos de fraqueza para adicionar risco



Proteger seu patrimônio nesse cenário volátil está te preocupando?

Converse sem compromisso com um de nossos especialistas e descubra como nossa visão de mercado pode ajudar você a tomar as melhores decisões.




Leonardo Strambi, CFA Economista graduado pela PUC-RJ, MBA em Gestão de Investimentos pelo IAG/PUC-RJ, Gestor de Recursos CVM - CGA/CGE e CFA Charterholder, CFA Institute. Fundou a Austria Capital em 2017, onde atua como diretor de gestão patrimonial e gestor de portfólios.

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