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Giro Global #29: Confira nossa leitura sobre a decisão e o comunicado do COPOM.

  • Foto do escritor: Leonardo Strambi, CFA
    Leonardo Strambi, CFA
  • 5 de fev. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 9 de fev. de 2023

A semana que passou foi marcada pelo movimento de abertura de juros, em especial nos vértices longos. O Copom adotou tom duro em seu comunicado, em resposta ao processo de deterioração das expectativas de inflação e à ausência, até aqui, de um arcabouço fiscal crível.


Um dia após o comunicado, Lula reforçou críticas ao Banco Central e defendeu publicamente uma inflação mais alta. Outros integrantes do PT também se manifestaram, subindo o tom nas críticas ao BC.






O objetivo da autoridade monetária, ao sinalizar que os juros podem permanecer nos níveis atuais por mais tempo e ainda, que existe um viés de alta, caso as expectativas continuem se deteriorando, é reancorar as expectativas, deixando claro que tomará as medidas necessárias para seguir seu mandato, independente de pressões políticas.


A resposta serve como uma dura, porém necessária lição e reforça a importância da independência do Banco Central para a nossa economia. Infelizmente, a percepção de que já estávamos no final do ciclo de alta de juros, que nos deixava em uma ótima posição em relação aos nossos pares globais para atrair capital, vai ficando cada vez mais distante. A postura do governo, até aqui, além de irresponsável é um verdadeiro tiro no pé.

Outro ponto de atenção foi a carta de Lula, lida por Rui Costa na abertura dos trabalhos legislativos, onde o atual presidente manteve o discurso demagógico de campanha de 'reconstrução da democracia' e defendeu uma inflação acima de 4% ao ano e a redução de volatilidade na moeda, por meio de política cambial.


Além de gerar mais ruído e contribuir para o processo de deterioração das expectativas, ao colocar em pauta uma possível mudança de regime cambial, o presidente da república dá sinais de que está cada vez mais à vontade para demonstrar publicamente seu viés intervencionista, ignorando inclusive que o mandato para tratar destes assuntos pertence à autoridade monetária e sequer faz parte do escopo de atuação do poder executivo.


Em meio às sinalizações cada vez mais claras na direção da velha e famigerada 'nova matriz econômica', que destruiu a economia do país há pouco tempo, a esperança que ainda resta é que o nosso congresso seja capaz de barrar a sanha intervencionista do novo governo.


A atuação desastrosa na pasta da economia no primeiro mês de mandato de Lula já custou muito ao país. Além da abertura nos juros, com o mercado já precificando níveis mais altos por mais tempo, ficamos para trás em um processo significativo de reprecificação global dos ativos de risco.


Tanto nossa bolsa, quanto nossa moeda estão entre as piores performances do mundo nos últimos meses, como destaquei na semana passada. Como diria Roberto Campos, 'Infelizmente o Brasil não perde uma oportunidade de perder oportunidades'.











Confira os principais destaques dos mercados globais na semana.


Brasil

  • O Ibovespa encerrou a semana em queda de -3,4%;

  • Destaque para Natura, que subiu +8,2% e CVC, que caiu cerca de -15%;

  • O Copom manteve a Selic em 13,75%, pela quarta vez consecutiva;

  • O comunicado foi mais duro, indicando que os juros podem seguir elevados por mais tempo.

EUA

  • Fed: a taxa básica de juros foi elevada em 25 bps, como era esperado pelo mercado;

  • O discurso brando do presidente do Fed, Jerome Powell, surpreendeu positivamente;

  • Payroll: a criação de 517 mil empregos em setores não agrícolas (nonfarm payroll) foi bastante acima da expectativa de mercado;

  • O mercado reagiu positivamente, mas a tendência de alta foi revertida devido aos dados positivos do mercado de trabalho americano e resultados decepcionantes das big techs.

Europa

  • O Banco Central Europeu (BCE) aumentou a taxa de juros em 50 bps;

  • A decisão foi motivada pela persistência de uma inflação acima da meta de 2%;

  • O BCE sinalizou que continuará a aumentar os juros na próxima reunião, em março.


China

  • Dados do PMI de manufaturas registram 49,2 pontos, abaixo do esperado;

  • Contratação na indústria chinesa melhorou em janeiro;

  • Efeitos da Covid ainda são sentidos, com aumento de infecções, que fazem com que as dúvidas sobre o momento da recuperação econômica persistem.


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Bancos centrais em ação

Os principais headlines de política monetária ao redor do mundo na semana.

  • Colombia raises interest rate to 12.75%, may not be final hike

  • BOJ deploys funds-supply tool again as yields creep up

  • BOJ policymakers divided on wage, inflation outlook, Jan meeting summary shows

  • Colombia central bank set to raise interest rate one last time

  • Bank of Canada hikes rates, becomes first major central bank to signal pause

  • New Zealand's central bank unveils new enforcement framework

  • ECB policymakers spar on rate outlook beyond Feb hike

  • IMF urges BOJ to let long-term yields rise, be ready to raise rates

  • Fed needs mortgage-backed securities exit plan 'earlier than later,' George says

Obrigado pela leitura.

Espero ter conseguido entregar o máximo de valor pelo mínimo de tempo.


Uma excelente semana e bons negócios.


Fundador e Assessor de Investimentos na Austria Capital



*Opiniões e análises pessoais, que não refletem necessariamente visões institucionais, nem se configuram como recomendação de investimento.


*A Austria Capital preza pela qualidade de informações e análises, ressaltando, no entanto que não faz qualquer tipo de recomendação de investimento neste portal. Qualquer decisão de investimento deve ser sempre realizada em conjunto com um profissional certificado de mercado, observando aspectos pessoais, situação patrimonial e perfil de risco.


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