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Giro Global #5: Em busca do equilíbrio.

  • Foto do escritor: Leonardo Strambi, CFA
    Leonardo Strambi, CFA
  • 29 de jul. de 2022
  • 4 min de leitura

Apesar de já ser possível identificar sinais claros de desaceleração econômica, a (cada vez maior) probabilidade de recessão não parece ser mais o principal vetor de precificação dos mercados à curto prazo. A partir de agora será preciso entender qual a magnitude e duração de uma eventual recessão, para que o mercado encontre um novo equilíbrio.


Cenário Macro


A semana que passou foi carregada de dados econômicos. O Ibovespa encerrou em forte alta de 4,3%. Em julho o índice subiu 4,7%. Os mercados globais também fecharam o mês em terreno positivo, com o S&P 500 registrando o melhor resultado mensal desde Novembro de 2020.

O FOMC anunciou a elevação em 0,75 p.p. da taxa de juros americana como amplamente esperado pelos mercados. O destaque ficou para o discurso dovish do presidente Jerome Powell, sinalizando que nas próximas reuniões poderá ser apropriado desacelerar o ritmo das altas, a depender dos dados econômicos.

A economia americana contraiu pelo segundo trimestre consecutivo em -0,9% no 2T, indicando um quadro de recessão técnica. 277 das empresas do S&P 500 já divulgaram balanços, com aproximadamente 70% das empresas superando expectativas de lucros. Neste ambiente, as big techs tiveram forte valorização.


No Brasil, com a primeira leitura trazendo o impacto da redução nos preços da eletricidade e combustíveis, o IPCA-15 de julho subiu 0,13%, ligeiramente abaixo das expectativas do mercado. Outros dados de destaque:

- Em maio, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 33,0 bilhões (Consenso: -R$ 30,0 bilhões. ).

- A Dívida Pública Bruta caiu para 78,2% do PIB e a Dívida Pública Líquida subiu 0,5 pp. para 58,8 % do PIB (Consenso: 58,3%).


- Em junho, o governo central brasileiro registrou superávit primário de R$ 14,4 bilhões (Consenso: R$ +14,1 bilhões).

- As despesas do governo totalizaram R$ 176 bilhões, ante R$ 206 bilhões em junho de 2021.

- O superávit primário acumulado em 12 meses atingiu 0,93% do PIB.


- CAGED: Em junho, a economia brasileira registrou saldo líquido de 278 mil empregos formais (Consenso: 240k)


Gráfico da Semana


A taxa de desemprego sem ajuste sazonal do Brasil caiu 0,5 pp. para 9,3% em junho, atingindo o menor patamar desde 2015. A população empregada aumentou 790k mês contra mês, enquanto a força de trabalho aumentou 202k.


O que esperar para a próxima semana


No cenário internacional, o destaque será a divulgação de dados de mercado de trabalho nos EUA, incluindo a criação de empregos (payroll), PMIs de julho dos países desenvolvidos e dados de atividade na Zona do Euro.

No Brasil, teremos a decisão de juros pelo Copom, onde o mercado espera que a autoridade monetária promova o último aumento do ciclo, levando a taxa Selic a 13,75% a.a. É importante destacar que os fortes dados de inflação e as respostas dos bancos centrais ao redor do mundo são os fatores que vêm dominando as narrativas, conforme destacado nos últimos artigos. Apesar da melhora de curto prazo na dinâmica dos ativos de risco e da percepção de que a inflação pode ter atingido patamares de pico, ainda não é possível saber até que ponto e por quanto tempo os bancos centrais precisarão manter juros elevados. Vale notar que, à esta altura, dados mais fracos de crescimento nos EUA poderão contribuir para reduzir a probabilidade de juros elevados no país por mais tempo, o que poderá acarretar em leituras positivas pelos mercados, por mais contraintuitivo que possa parecer. Além disso, apesar de já ser possível identificar sinais claros de desaceleração econômica, a (cada vez maior) probabilidade de recessão não parece ser mais o principal vetor de precificação dos mercados à curto prazo. A partir de agora será preciso entender qual a magnitude e duração de uma eventual recessão, para que o mercado encontre um novo equilíbrio.


Leituras da semana


Euro zone growth, inflation accelerate, but recession looms later in year read more

Canada Q2 GDP set to grow more than expected, big Sept rate hike seen read more

UK consumers borrow more in face of cost-of-living squeeze read more

Mexican economy beats forecasts, grows for third straight quarter read more

'Recession is in the air': German economy stagnates in 2nd quarter read more

POLL-Russia's 2022 inflation seen at 13.4%, more rate cuts to come read more

POLL-Turkish inflation seen nearing 81% in July, falling to 70% by end-2022 read more

Spain's second-quarter GDP growth of 1.1% tops estimates read more

Juros


Após 9 semanas de alta, nossa taxa de 10 anos encerrou a semana em forte queda de 65 bps.


As Treasuries de 10 anos também tiveram quedas expressivas, de 2,78% para 2,64%.

O VIX (CBOE Market Volatility Index) fechou em 21.33, menor patamar desde abril deste ano.


Moedas


O DXY fechou a semana em queda de 0,77%.


O Real teve forte valorização de 5,8% e fechou a R$5,1730.


Commodities


As commodities tiveram mais uma semana de recuperação.


O índice CRB da Thomson Reuters acumulou nova alta de 3,23%.


Petróleo BRENT fechou em alta de 6,60% e o Iron Ore em alta de 1,74%.


Equities


O Ibovespa fechou a semana em alta de 4,3%.

De olho na Temporada de Resultados


A temporada de resultados do 2T22 se iniciou no dia 14/07 e é importante acompanhar os resultados que serão divulgados pelas empresas nas próximas semanas. Apesar de riscos maiores de uma recessão econômica, as projeções de EPS para os próximos 12 meses, 2023 e 2024 subiram levemente durante o trimestre. Ao longo do período, as projeções de lucros foram revisados para cima entre 6%-8%.




Leonardo Strambi

Sócio-Fundador e Assessor de Investimentos na Austria Capital

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